sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Capítulo 2 - Igor apaixonado = problemas



Apaixonada.
Ato criado por não sei quem, para torturar pobres criaturas. Bem, eu estava ferrada.

Depois de passar a tarde inteira pensando em uma coisa só (ou uma pessoa só), eu vi que minha situação havia ficado feia. Para uma pessoa com deficit de atenção pensar em uma coisa apenas por tanto tempo, pode ter certeza que existe algo de muito estranho nisso.
E para piorar, o filho de uma Senhora que não conheço de meu professor, passou um seminário no primeiro dia de aula. Sim, ele o fez. E que o inferno o engula, juntamente com o seu sadismo, ao me colocar em dupla com Nelson. Ele conseguiu terminar de jogar meu dia na lama, mal posso respirar o mesmo ar daquele aspirante a Bill Gates, e agora terei que fazer um trabalho com ele.
Que depois recolham os destroços. Vou mandar os restos do garoto para ele pela caixa de correio. Lindamente.
E para completar a situação, ainda o noivo da Valentina pintou na área. É ele entrando por uma porta e eu saindo pela outra. Não que eu não goste do sujeito (e eu não gosto mesmo), mas é por que eles... se animam demais. Apartamento pequeno e tudo mais... Preciso nem explicar o fim disso tudo.
E assim, para completar meu dia, seis horas da noite, e eu no parque perto da minha casa, despejada não sei por quantas horas, vendo a vida passar, nuvens ameaçando chuva, celular sem bateria para ouvir música, casais se beijando...
Já reparou em quando você está sozinha, parece que surgem casais dos quintos dos infernos? Eles brotam das árvores. Até os patos no lago andam em par. É um lembrete do universo que você, e apenas você, não tem ninguém.
E um lembrete que até essa manhã eu aparentemente pouco estava me lixando para isso. É possível mesmo uma pessoa mudar rápido demais. Eu estava soltando até aqueles suspiros bobos, minha mão e meus dedos trabalhando em meu caderno de desenhos formando um par de olhos negros...Até os corações com flechas...
Essa última parte é brincadeira. Flechas não.
- Hobbit!!
- Jesus!! - Dei um grito jogando o caderno para o ar e ouvi a gargalhada  escandalosa do meu melhor amigo idiota se jogando do meu lado na grama.
- Sou apenas eu! - Ele ironizou ainda rindo. - Ou esperava o seu professor?
Corei até a raiz do cabelo escondendo o desenho que o infeliz devia estar espiando há um tempo. Era um mistério para mim como um sujeito tão grande conseguia ser tão... furtivo.
- Não faço ideia do que está falando. - repliquei com cara de paisagem e ele negou com um suspiro.
- Estamos fodidos. - Completou sonhadoramente.
E lá vinha história.
- Quem foi a garota agora? - perguntei me jogando a seu lado.
Ser amiga.
Ato de escutar seu amigo falando de bundas de garotas, certo?
Mas um detalhe sobre Igor. Ele SEMPRE estava se apaixonando. E rápido. Se uma garota era bonita, gostava das mesmas coisas que ele, pronto. Piorava tudo se ela gostava de animes, aí era o apocalipse.
Mas, assim como eu, ele era um azarado. Por que em primeiro lugar, se apaixonar é uma droga. Segundo lugar, mulheres são complicadas. Terceiro lugar... Igor era IGOR. Ele sempre ia gostar da menina mais complicada. Por que quando a pessoa nasce para isso, é o fim.
Igor era, sem dúvida, o cara mais inteligente que eu conhecia, carismático, entendia de um monte de coisas, era capaz de fazer chover no inferno, mas não conseguia manter um relacionamento por mais de um mês, sem sair com o coração em frangalhos.
E é por isso, que os sujeitos mais inteligentes geralmente tem tendência ao alcoolismo.
- Ela gosta de vídeo games... - ele falou sonhador.
- Fudeu. - concordei rindo.
- Não ria! - ele ralhou mal-humorado. - Ela é linda...Estava usando uma blusa do Star Wars. Sabe o que significa uma mulher linda usando uma blusa do Star Wars?
- Que estava em liquidação? - Ele virou para mim indignado. - Ok! Entendi, brincadeira. Ela é incrível, fodástica. Diga o nome.
- Mari! - Ele falou mais animado e congelei.
Mari.
Meu melhor amigo estava apaixonado pela irmã de meu pior inimigo, Nelson.
Sim, o mundo me amava.
- Mari... do cabelo loiro, mechas violetas... - tentei, queria ouvir uma negativa.
- Conhece? Ela é tão legal... Quer ouvir como a conheci?
- Uhum...
- Sabe, eu estava...
"Ela vai comê-lo vivo no café da manhã. E depois enterrar os ossinhos."
- Então ela me falou que amava o...
"Ele acha que ela é a princesa Léia, mas esta mais para Anakin... Aquela garota é bipolar!"
- E ela riu! Ela riu comigo e não de mim! Sabe o que isso significa?
- Que ela te achou hilário? - perguntei incerta.
- Isso! Ela gostou de mim, uma mulher gostar de mim... uma mulher daquelas sabe...
Ele suspirou e eu fiz o mesmo. Eu só tinha a torcer para ele, e me preparar para comprar um caixão duplo, para ela e para o irmão dela, se ele inventasse de aprontar para o lado do Igor.
- E você se lascou também pelo jeito, até desenhando o sujeito... - Ele virou a cabeça de lado me encarando e fingi que não vi olhando para cima, soltando um resmungo. - Nunca te vi fazer isso por cara nenhum a não ser o...
- Não fale esse nome! - ordenei lhe lançando um olhar gelado e ele concordou e fez sinal de rendição.
- Ok, ok. Só frisei isso. Minha garotinha cresceu! - ele me zoou e fiquei em duvida se ria ou não. Impossível, acabei rindo.
- Como me achou aqui? - perguntei curiosa.
- Pelo seu Ki. Ele sempre me parece extremamente depressivo ou irritado. - Ele falou com falsa seriedade. - Então o senti e fiz um tele transporte.
Ser melhor amigo de uma garota problemática.
Ato de fazê-la rir sempre que possível, mesmo quando as coisas vão mal.
Por isso eu gostava tanto de Igor. Ele me conhecia melhor do que eu mesma.
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Quando pude ir para casa, já passava das oito da noite e começava a chover. Havia jogado vídeo-game da casa do Igor, jogado conversa fora, depois dado umas voltas pelo quarteirão, até que aquilo me encheu e fui ver o casal se agarrando. Com sorte eles estavam na sala e eu me trancava no quarto.
O noivo da Tina, era um imbecil. Sabe, daqueles caras que se amam, se adoram, e usam os outros como troféus. Ele era assim. E a para piorar, Valentina o amava. Eu disse né, paixão é uma droga. Amor, então... Seria tão mais fácil se conseguíssemos encontrar uma pessoa boa para gente de cara, ser uma paixão certa, e não unilateral e tudo mais... Mas quem disse que isso acontecia?
Como se vê, eu e meus únicos grandes amigos não somos o exemplo de pessoas que se dão bem no amor.
Mas em duas semanas, isso tudo ia mudar, e quem disse que para melhor, se ferrou.
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